Será que o futuro da industria automobilista esta na China?

A revista Época Negócios (junho de 2009) apresenta uma longa matéria sobre a Chery, a maior montadora chinesa da atualidade (página 146).

Esta matéria retrata o que muito tem se falado:

“Será que a China irá dominar a industria automobilista mundial”;

“Será que a China conseguirá transformar carros que hoje são sinônimos de sucata em carros sinônimos de qualidade, como fizeram os japoneses?”

” Será a China capaz de simplesmente copiar, para criar algo realmente novo?”;

Hoje não temos as respostas exatas para estes questionamentos, porém gostaria de propor outra linha de raciocínio.

Quando olhamos para a industria automobilística de forma mais ampla, identificamos as seguintes fases:

- Final do século 19, nasce a industria automobilística (Estados Unidos e Europa). Imagem: muitos fabricantes, baixos volumes de produção e carros quase exclusivos para cada cliente;

- Após a segunda guerra mundial a industria automobilista começa a se organizar com grandes conglomerados. É nesta época que a GM faz as grandes aquisições, é nesta época que a Audi é formada (ainda Auto Union) e é também nesta mesma época que a Volkswagen se consolida como um dos símbolos de recuperação da Alemanha pós-guerra. Imagem: o crescimento dos países passa pela produção de carros;

- Alfred Sloan assume o comando da GM (entre 1923 e 1946). Alfred transforma a GM em uma grande corporação mundial.  Na década de 1940 a GM assume 50% no mercado norte americano de automóveis. Imagem: empresa organizada em departamentos e divisões;

- Final dos anos 50, o Japão, mobilizado em sua reconstrução identifica que os diferenciais competitivos para a industria automobilista nacional serão flexibilidade de produção associada a altos padrões de qualidade. Nesta época os Estados Unidos já estavam consolidados como a maior potencia mundial, em contrapartida o Japão estava ávido a escutar e aprender. Joseph Moses Juran e William Edwards Deming vão ao Japão ensinar o que os americanos não queriam aprender. Imagem: carros japoneses são sinônimos de falta de qualidade;

- Bom, neste ponto poderíamos fazer grandes discussões sobre a cultura japonesa, porém acredito que estes tipos de discussões são apenas simplificações para explicar por que o Japão desenvolveu a industria automobilista e outros países não;

- Eliminação dos desperdícios, melhorias incrementais, eternos questionamentos cm relação aos processos, pesquisa sempre associada com aplicação, teoria encontrando a prática, mudança de padrões, adoção de metas ousadas, estratégias ousadas para alcançar metas ousadas. A lista que pode conter os fatores que diferenciaram a Toyota do restante das montadoras é enorme. Além disto, normalmente, ele tende a ser simplificada ou mesmo mal compreenda pelos concorrentes da Toyota. Imagem: Toyota é sinônimo de Qualidade, baixo custo e “Lead Time” curto;

- Em 1984 Toyota e GM dão início a Nummi (New United Motor Manufacturing, Inc). Toyota importa o modelo de produção Toyota para fora do Japão, de forma definitiva;

- A partir da década de 90 a Toyota passa a ser uma grande montadora no Estados Unidos. O alicerce para este crescimento da Toyota continuava baseado nos mesmos conceitos iniciais do modelo Toyota de produção. Imagem: o que funciona para eles não pode funcionar para nós;

- Ano 2000, a China passa a ter relevância crescente no mercado mundial. Na industria automobilista não é diferente. China começa a cogitar exportar carros para o resto do mundo;

- 2007, Toyota passa a ser a maior montadora do mundo, superando a GM;

- 2009, China já exporta carros para o mundo, porém até o momento não demonstra ter um sistema de produção significativo diferente ou evoluído. O que sabemos é que a produção restringe-se a cópias e baixo custo de mão de obra;

A corrida da industria automobilística para o século 21 não será vencida por “cópia e baixo custo”.

A menos que tenhamos uma revolução silenciosa acontecendo nas linhas de produção chinesas (baseada em processos robustos e pesquisas que ir, ainda teremos que aguardar um bom tempo até ver a indústria chinesa de automóveis com um respeitável grau de desenvolvimento, capaz de ditar o rumo para o carro do século 21 (mais ecológico, mais leve, mais econômico, mais personalizado, mais reaproveitável, …);

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