“Gestão paternalista é a preferida por brasileiros, diz pesquisa”

Em pesquisa conduzida pelo professor Alfredo Behrens com alunos de MBA do Brasil e da Europa, “ficou claro que o estilo de governança preferido entre os estrangeiros é do líder com foco intelectual, aquele que consegue conquistar a admiração de seus colaboradores pelo seu conhecimento. Já para a maioria dos trabalhadores brasileiros, na opinião dos respondentes, o estilo preferido é o de líder protetor”.

O texto original, esta publicado no site da HSM.

Gostaria de aproveitar e fazer alguns comentários, primeiro sobre a pesquisa e posteriormente sobre a análise da pesquisa.

Sobre a pesquisa:

- Quem trabalha com gestão no Brasil conhece bem este estilo do líder protetor e o quanto ele esta enraizado na cultura brasileira;

- Para aqueles que tiveram a oportunidade de trabalhar junto com gestores estrangeiros (americanos principalmente), com certeza lembram do choque pelo diferente modo de gestão;

- O que chama a minha atenção é que a pesquisa foi feita com alunos que estão cursando MBA, ou seja, alunos que estão na pós graduação e muito provavelmente já ocupam um cargo de liderança dentro de nossas empresas. Estes alunos preferem um modelo de gestão do líder protetor;

“Análise da Pesquisa (opiniões deste blog, na verdade)”:

- O professor Alfredo, no artigo publicado pela HSM, limita-se a uma análise econômica positiva sobre o resultado da pesquisa “Quando questionado sobre qual o modelo de gestão ideal, paternalista ou intelectual, o professor responde: “não há um modelo ideal, a liderança intelectual funciona melhor na Europa e nos Estados Unidos entre pessoas que trabalham em indústrias da inteligência, como escritórios de advocacia, bancos, consultorias, que compõem a maioria dos que estudam MBAs. No Brasil, a preferência pelo estilo paternalista de liderança é predominante”.

Eu já gostaria de arriscar mais, por isto vou tomar a liberdade de avançar por uma análise econômica normativa sobre a pesquisa.

Muito discutimos sobre a forma de gerir as equipes, porém o fato é que a muitos anos o Brasil perdesse na ilusão de que “tapinhas” nas costas e um peru no final do ano irão resolver nossos problemas (a falsa estabilidade).

Com este modelo de liderança protetor (paternalista) chegamos aonde e o mais importante com qual velocidade?

Trocamos o desenvolvimento futuro, a melhor qualidade de vida, a maior riqueza, a melhor condição de desenvolvimento, o mérito do reconhecimento, pelo medíocre (mediano) presente da proteção.

Minha opinião é de que o profissional que bate metas (metas inteligentes, claro) não precisa de proteção, pelo contrário não quer proteção. Com isto, sobram os profissionais que não gostam de metas, que acham que trabalhar deve ser uma atividade que não necessariamente deve estar associada com resultado, afinal “é difícil né chefe, mas o senhor sabe que nós estamos tentando“. O problema é que para bater metas de forma consistente é preciso que se tenha intelecto (conhecimento, conhecimento, conhecimento).

Em pleno século 21, nossos alunos de MBAs deveriam estar discutindo quais as melhores métricas, como melhorar as métricas que temos, como implantar métricas inteligentes, porém infelizmente,  ainda estamos discutindo se métricas são realmente necessárias.

Assim, estamos longe, ainda, do desenvolvimento sustentável.

Uma pena.


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