A nova revolução Farroupilha*

*Texto originalmente publicado no jornal Zero Hora de 11 de setembro de 2011

                Nosso estado esta cheio de histórias de lutas, porém a mais marcante continua sendo a revolução Farroupilha. Tal revolução teve início quando produtores de charque decidiram que os tributos cobrados pelo governo não eram mais “justos”. A partir deste feito passaríamos a nos enxergar como um povo aguerrido, de valor e constância, com façanhas que poderiam servir de modelo a toda a terra.

                O fato é que hoje estamos passando por outra revolução, talvez mais marcante e importe que a Farroupilha. Nosso estado esta perdendo a guerra do desenvolvimento para outros estados brasileiros.

                Não somos mais o celeiro do Brasil (perdemos para Mato Grosso e Paraná), não temos mais o maior rebanho de gado (perdemos para Goiás), não somos mais os melhores em educação (perdemos para Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina), a UFRGS perde para USP, UFRJ e UFMG, nosso PIB é o quarto (perdemos para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), nossa principal rodovia, BR 386, tem um pequeno trecho duplicado, não tem canteiro central e tem a velocidade máxima, em alguns trechos, de 50 km/h. O pior é que alguns ainda acreditam que a solução seja a separação do Brasil (república do pampa). Separar nos tornaria um “Uruguai” (espremido entre gigantes) e a população de Santa Catarina poderia fazer compras em nossos “free shops”.

                O que mais espanta é que continuamos aguardando a “ajuda” do governo, para melhorar nossas vidas, para termos mais educação, para proteger nossa não competitividade. Além disto, reclamamos quando a verba não vem, quando o empreendedor gaúcho resolve ir embora, quando nosso filho encontra emprego melhor em outro estado, quando importamos soja por um preço menor.

                Não há mais tempo a perder, nós gaúchos precisamos parar de aguardar e agir. A ação passa por buscarmos nosso próprio desenvolvimento, e o de nosso estado sem aguardar a ajuda do governo, seja ele estadual ou federal. Precisamos estudar mais, trabalhar mais, investir e empreender mais. Quando estivemos cansados, devemos lembrar que o retardatário na corrida do desenvolvimento não pode descansar. Não é mais hora de perguntarmos “o que o estado pode fazer por nós, mas sim o que nós podemos fazer pelo estado”. Exaltar o passado lembrando os ideais Farroupilhas, enquanto estamos construindo um futuro melhor é uma forma de intensificar nossas virtudes. Exaltar o passado, pelo simples motivo de que é somente lá que estão nossas glórias, não passa de uma fuga da realidade. Fugir da realidade, sempre implicará em um alto custo, logo à frente.

                Claro podemos sempre escolher o caminho mais fácil, não fazermos nada de novo e lembrarmos quando nossas façanhas serviam de modelo a toda a terra. De toda forma, se continuarmos como estamos, estas façanhas farão parte de um passado cada vez mais distante. Assusta-me imaginar que após 176 anos, do começo da Revolução Farroupilha, consigamos finalmente nos separar do resto do Brasil. Não era essa separação que Bento Gonçalves, Antônio de Souza Neto e tantos outros Farroupilhas, imaginaram para nós.

                “Mas não basta pra ser livre / Ser forte, aguerrido e bravo / Povo que não tem virtude / Acaba por ser escravo”.

Reno Schmidt



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